O Centro-Sul do Brasil entra em um período de calor persistente a partir deste sábado (26). O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso vermelho de grande perigo, válido do meio-dia de sábado até as 18h de quarta-feira (30), devido à previsão de temperaturas pelo menos 5 °C acima da média por cinco dias consecutivos.
Onde o aviso vermelho vale
Na atualização oficial do Inmet, o alerta abrange seis estados: Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo em todo o território; áreas do centro e do sul de Mato Grosso; setores do centro, sul e oeste do Rio de Janeiro, incluindo a capital; e o sul e sudeste de Minas Gerais.
- Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo: todo o território;
- Mato Grosso: áreas do centro e do sul, incluindo Cuiabá;
- Rio de Janeiro: áreas do centro, sul e oeste, além da capital;
- Minas Gerais: sul e sudeste do estado, nas proximidades de cidades como Passos, Poços de Caldas, Varginha, Maria da Fé e Lavras.
Calor intenso ultrapassa a área do alerta
Partes de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, sul de Goiás, Rondônia, Pará e outras áreas de Mato Grosso também devem enfrentar temperaturas elevadas. Esses locais, porém, ficaram fora do aviso vermelho porque a previsão não reúne, ao mesmo tempo, a intensidade e a persistência exigidas para caracterizar a onda de calor.
Máximas previstas
O calor deve atingir seu pico entre domingo (27) e segunda-feira (28). A projeção do Inmet indica até 41 °C em Cuiabá, no domingo e na segunda; 40 °C em Campo Grande, na segunda; e cerca de 32 °C na capital paulista, no domingo. Os valores podem ser revistos conforme a evolução das condições atmosféricas.
Por que este episódio é uma onda de calor?
Não basta registrar uma tarde muito quente. O fenômeno é definido pela combinação entre intensidade e duração: neste caso, as temperaturas máximas devem permanecer pelo menos 5 °C acima da média climatológica por cinco dias consecutivos.
- Amarelo: indica perigo potencial;
- Laranja: aponta situação de perigo;
- Vermelho: representa grande perigo e o nível mais alto da escala.
Risco à saúde exige atenção redobrada
O calor extremo pode provocar desidratação, cansaço, tontura, dor de cabeça e piora de doenças cardiovasculares ou respiratórias. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com condições crônicas merecem cuidado especial. A orientação é beber água com frequência, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes, usar roupas leves e procurar locais ventilados. Em caso de mal-estar persistente, é importante buscar atendimento de saúde; em emergências, o Samu atende pelo 192.
O QUE ESTÁ IMPULSIONANDO AS TEMPERATURAS
Segundo o Inmet, uma área de baixa pressão entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai deve se intensificar nos próximos dias. Esse sistema altera a circulação dos ventos e favorece o transporte de ar quente para o Centro-Sul, ajudando a manter as temperaturas elevadas por vários dias.
Primeira onda de calor da primavera
O episódio é o primeiro da primavera de 2026, iniciada em 22 de setembro. A estação costuma marcar a retomada gradual das chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste, mas também traz elevação das temperaturas e maior contraste entre massas de ar — combinação capaz de favorecer temporais severos.
O pano de fundo é a atuação de um El Niño muito forte, fenômeno associado ao aquecimento anormal do Pacífico Equatorial. Para a primavera, as projeções apontam temperaturas acima da média em grande parte do país, mais chuva no Sul e períodos mais secos e quentes em áreas do Norte e do Nordeste. No Centro-Oeste e no Sudeste, a tendência é de alternância entre calor intenso, chuva irregular e tempestades isoladas.
Ao longo da estação, o calor tende a ser mais persistente no norte de Minas Gerais e de Goiás, em Mato Grosso, no interior do Nordeste, em Tocantins, no Pará, no leste do Amazonas e em Roraima. Nessas áreas, podem ocorrer vários dias com marcas superiores a 40 °C, sobretudo quando o tempo seco e a baixa nebulosidade favorecem o aquecimento.
Quando o calor deve perder força
A expectativa é que uma nova frente fria comece a modificar o padrão atmosférico a partir de quarta-feira (30), reduzindo as temperaturas em parte da região afetada. Até lá, a recomendação é acompanhar as atualizações do Inmet e das defesas civis, já que a duração e a área dos avisos podem mudar.








