A política de Ibaté acaba de ganhar um ingrediente que ninguém esperava acompanhar tão cedo na mesa. Caio Parrella, filho do eterno Zé Parrella, abriu o jogo em primeira mão e disse sem rodeios que vai disputar a cadeira de prefeito em 2028.
Com exclusividade ao jornal Primeira Página, de São Carlos, essa frase saiu curta e grossa, quase como um recado direto a quem já se acomodou no poder, e o alvo tem nome e sobrenome. Ronaldo Venturi (PSD), que hoje ocupa o Executivo e naturalmente sonha com a reeleição, acaba de ver surgir no horizonte a sombra mais pesada que a política ibateense já conheceu.
Não se trata de um adversário qualquer. O sobrenome Parrella não é apenas uma marca eleitoral em Ibaté. É praticamente uma instituição. O pai Zé comandou a cidade por 20 anos ao longo de quatro mandatos, fez sucessores, sobreviveu a eleições suplementares e transformou o município de um jeito que até hoje se sente nas ruas, nas obras e na memória de quem acompanhou aquela trajetória de perto. O velho morreu em junho de 2025, aos 75 anos, mas o peso do que ele construiu continua vivo e agora parece pronto para ganhar um novo rosto.
Caio não é um estreante absoluto nos bastidores. Lá em 2013, quando Ibaté enfrentou uma eleição suplementar, o nome dele já circulava entre os preferidos do grupo político do pai. Naquela época era só cogitação, conversa de bastidor, possibilidade remota. Agora o cenário é outro. A declaração é firme, pública e vem carregada de uma simbologia que dispensa maiores explicações. É o herdeiro político dizendo que a história da família não terminou naquele caixão de junho de 2025.
Para Venturi a conta fica complicada. Enfrentar um Parrella em Ibaté nunca foi tarefa simples, nem mesmo quando Zé estava vivo e ativo nas articulações. Imaginar agora uma campanha contra um filho que carrega o legado de duas décadas de administração e que ainda por cima se apresenta como novidade, como sangue novo dentro de uma linhagem já consolidada, é um cenário que tira o sono de qualquer estrategista eleitoral. O eleitorado de Ibaté tem uma relação quase afetiva com esse sobrenome e isso não se apaga com uma ou duas gestões de outro grupo.
A Câmara Municipal já deu sinais de que a memória de Zé Parrella segue reverenciada. Em novembro de 2025, os vereadores aprovaram por unanimidade batizar a Praça dos Três Poderes com o nome do ex-prefeito. Em setembro de 2026, a família voltou a ser homenageada publicamente durante o Leilão Direito de Viver, em Aparecida do Taboado. São gestos que mantêm acesa uma chama que Caio agora pretende transformar em combustível eleitoral.
O que se desenha para 2028 é uma disputa que vai muito além de programas de governo ou promessas de campanha. É um embate entre a continuidade de uma gestão presente e o chamado de uma herança política que moldou a identidade de Ibaté por 20 anos. Venturi terá de provar que seu trabalho fala por si. Caio terá de mostrar que não é apenas um sobrenome numa urna. E o eleitor, no fim das contas, vai decidir se quer manter o rumo ou se prefere apostar na volta de um clã que, goste-se ou não, se confunde com a própria história da cidade.
A corrida ainda nem começou oficialmente e já tem cheiro de uma eleição, que irá aflorar os corações dos eleitores da Encanto do Planalto.







