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Inoperância da Prefeitura de Ibaté trava hospital para dependentes químicos

Um hospital pensado para acolher dependentes químicos em Ibaté está pronto para funcionar na região do Tamoio, mas segue de portas fechadas porque a Prefeitura ainda não concluiu a análise do processo. O RestauraMed ocupa um imóvel alugado há quase um ano e prevê cerca de 150 leitos, com equipe médica, psicológica e terapêutica, além de cursos de formação profissional para os pacientes.

Os responsáveis pelo projeto contam que já gastaram com aluguel e reformas enquanto aguardavam as liberações da Vigilância Sanitária e das áreas de Saúde e Engenharia. Até agora, segundo eles, não houve vistoria, visita técnica ou qualquer retorno concreto.

Cobrança pela liberação

Foi o vereador Gilmar Santos (PL) quem levou o caso às secretarias depois de visitar o espaço e conhecer a proposta. Ele contou que encontrou o processo parado, exigiu rapidez no atendimento e lembrou que cresce na cidade o número de pessoas dependentes de drogas.

O RestauraMed nasce como instituição particular, mas a ideia é buscar convênios e repasses dos governos municipal, estadual e federal no futuro. Segundo os responsáveis, a pressão do parlamentar foi o que finalmente fez a conversa com a administração avançar.

Um espaço quase todo montado

A psicóloga e diretora Raquel Parrelli afirmou que o prédio foi totalmente revitalizado ao longo do último ano e já conta com academia e piscina, faltando apenas o aval documental para receber pacientes.

O modelo prevê uma ala hospitalar com setores divididos conforme a complexidade de cada caso, inclusive para urgência e emergência, e um atendimento que reúne médicos, psicólogos, terapeutas e apoio espiritual.

Haverá ainda uma clínica-escola em parceria com universidades, escolas profissionalizantes e empresas, para que o paciente possa estudar uma profissão durante o tratamento e tenha mais chances de retomar o convívio social e ingressar no mercado de trabalho.

Triagem por cores e exigências da Anvisa

O médico Leonardo Spatti, que integra a direção, explicou que os pacientes serão separados nas categorias vermelha, amarela e verde, de acordo com o quadro clínico, psiquiátrico e as doenças associadas. Isso exigirá um acompanhamento contínuo e individual.

Ele garantiu que o projeto segue a RDC 50 da Anvisa, norma que define como devem ser as estruturas físicas dos serviços de saúde, e disse que cumpri-la integralmente é uma garantia tanto para quem for internado quanto para a própria instituição.

Vidas à espera

Com quase vinte anos de experiência no setor, o terapeuta e supervisor-geral David Savá lamentou o tempo perdido e disse que a equipe já poderia estar salvando pessoas há bastante tempo.

Para ele, o apoio do vereador é decisivo para acelerar o processo, e o trabalho também vai alcançar as famílias, o que pode fazer de Ibaté uma referência na área.

Agindo sob pressão

Depois da polêmica no Legislativo, o prefeito Ronaldo Venturi (PSD) convocou, para esta quarta-feira (30), uma reunião com representantes da Vigilância Sanitária, da Saúde e da Engenharia.

O parlamentar Santos afirmou que agora resta esperar o resultado do encontro, já que o chefe do Executivo prometeu apoio, assim como a Secretaria de Saúde.

Cabe agora à Prefeitura explicar o que ainda impede a liberação, quais etapas faltam e em quanto tempo o processo será decidido, porque um espaço preparado para 150 pacientes continua parado enquanto famílias da região procuram tratamento para seus parentes.

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