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Falta de água se torna marca registrada da gestão Venturi

Quem mora no Jardim Mariana já sabe que o sábado é o dia mais difícil da semana. É quando sobra tempo para lavar roupa e limpar a casa, e é justamente quando a pressão despenca. Um levantamento feito nas redes sociais, com mais de 25 respostas, mostrou que o bairro concentra as queixas e que a falta d’água por lá virou uma rotina que se estende aos feriados.

Alguns residentes estão preocupados com a máquina de lavar e muitos ibateenses desse bairro não aguentam mais o descaso dos gestores do Departamento de Água e Esgoto (DAE). O levantamento não tem rigor estatístico e há gente no bairro com abastecimento normal. Mas quem acompanha a cidade sabe que essa história não nasceu ontem, e a conta chega à porta do prefeito Ronaldo Venturi (PSD).

Operações precárias

Em setembro de 2025, moradores do Jardim das Palmeiras II relataram falta de água em diferentes horários do dia, muitas vezes sem aviso do DAE. Uma moradora contou que, ao ligar para o departamento, ouviu que, para eles, estava tudo normal. Um mês depois, o bairro voltou a ficar sem água em um domingo, e os moradores disseram que sempre que chove o abastecimento desaparece, além de reclamarem do boleto caro para quem quase não recebe água.

No início de 2026, a fila de episódios só cresceu. Em março, uma máquina que trabalhava no bairro Bandeirantes atingiu um tubo de quatro polegadas e comprometeu o fornecimento no Jardim América, Esfer, Bandeirantes e Mariana. Semanas depois, outro rompimento, desta vez na Rua Eduardo Apréia, afetou Bandeirantes, Mariana e Domingos Valério.

Em agosto, ocorreram um vazamento no Centro que afetou o abastecimento no Santa Terezinha e em parte do Mariana e, poucos dias depois, a manutenção de uma adutora que ameaçou deixar Icaraí, Aparecidinha e novamente o Mariana sem água. Um bairro que aparece em quase todos os comunicados de emergência não tem azar: tem uma rede que não aguenta o tranco e uma gestão que sempre trata o problema como imprevisto.

Ação sob pressão

Há também os que ficaram esperando bem mais tempo. No fim de 2025, moradores de um conjunto de chácaras relatavam mais de duas décadas de espera por água encanada, com cerca de 30 famílias sem o básico para cozinhar e tomar banho. A obra só começou depois que um vereador levou o pedido ao prefeito, e os próprios moradores descreviam anos de abastecimento precário, à base de poço e remendo. A água que chega por pressão política em vez de planejamento é a mais cara de todas.

Reconhecimento do fracasso

A principal resposta do prefeito é o poço do Jardim Cruzado. Em fevereiro, em uma live de quase duas horas, ele explicou que a obra demorou mais de um ano por causa da desapropriação do terreno e da liberação do projeto pelo órgão estadual, e que o reservatório terá capacidade para um milhão de litros. Disse ainda que a água hoje enviada ao Cruzado sobraria para o resto da cidade. Em entrevista mais recente, o próprio Venturi reconheceu problemas no abastecimento e a falta crônica de água nos pontos mais altos da cidade, prometendo uma Ibaté melhor até o fim de 2028.

Vale lembrar que ele diz falar desse poço desde os tempos de vereador. Se a promessa é antiga, a pergunta é simples: por que uma solução cobrada há tanto tempo ainda depende de “deverá” e “até o fim do mandato”? E o que o poço muda, na prática, para quem vive no Jardim Mariana, que nem sequer está na lista de bairros citados como beneficiados?

Pingos insensíveis

Falta explicação. Falta um cronograma público para o poço, uma auditoria da rede que mostre o porquê de tantos rompimentos e a razão de serem sempre nos mesmos bairros, e falta o DAE avisar antes, em vez de pedir compreensão depois. Falta, principalmente, tratar como prioridade um serviço que ninguém deveria precisar reivindicar.

A prefeitura e o DAE têm espaço aberto no site Ibaté Agora para explicar o que acontece no Jardim Mariana aos sábados e domingos. Até lá, o morador segue enchendo o balde na sexta-feira à noite, por via das dúvidas.

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