Antes de qualquer discurso, veio o lanche. Apaixonado e estudioso da culinária brasileira, o candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão), esteve nesta quinta-feira (24) em São Carlos e aproveitou a passagem para experimentar o tradicional lanche prensado que virou marca da cidade. A parada foi no Kikão Lanches, em frente à Praça Itália, na região Sul da Capital da Tecnologia.
Essa visita integra a caravana “Futuro Glorioso Tour”, que percorre cidades do Sul e do Sudeste ao longo de setembro. No roteiro do dia, o candidato saiu de Piracicaba, onde esteve às 10h, chegou a São Carlos para um encontro com apoiadores e militantes, marcado para as 14h30, e depois seguiu para Ribeirão Preto, com compromisso previsto para as 19h30. A candidatura foi oficializada pelo partido em julho.
Entre um atendimento e outro, Renan recebeu eleitores, ouviu conversas e apresentou suas propostas. Mas o tom da tarde foi de palanque. Com um megafone na mão, diante de uma plateia formada, em grande parte, por jovens, convocou os militantes para “uma guerra” e mirou os dois principais adversários na disputa.
Críticas ácidas aos principais oponentes
Perguntado sobre qual seria sua postura num eventual segundo turno sem ele, o candidato afastou a hipótese. “Eu estarei no segundo turno”, declarou.
Segundo Renan, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) “são a mesma coisa”. Ele disse que muitos brasileiros, inclusive pais de seus eleitores, “gostam dos olhinhos verdes do Flávio Bolsonaro e do bafo de cachaça do Lula”. E completou: “Um rouba o bolso esquerdo do brasileiro usando vermelho e o outro rouba o bolso direito do brasileiro usando o verde e amarelo”.
O presidenciável contou ainda que ouviu de uma pessoa que votaria nele no primeiro turno, mas apoiaria Flávio Bolsonaro no segundo. A resposta, disse, foi direta: “Não quero voto de derrotista. Lula e Flávio são a mesma m****”.
Para ele, o país tem agora uma alternativa: “O Brasil pode votar em alguém que não é ladrão e tem projeto”.
Estilo Milei de ser
Durante a visita, Renan também comentou o destaque que recebeu da revista britânica The Economist. Segundo o candidato, a publicação o avaliou como “convencido”, mas “não um charlatão”.
De acordo com o texto da revista, Renan apresenta propostas detalhadas e uma visão de reformas estruturais para o Brasil. A publicação o comparou ao presidente argentino Javier Milei, pela defesa do livre mercado e pela postura de outsider, alguém que se apresenta fora do sistema político tradicional.
Classificou-o ainda como um azarão inesperado na corrida, cujas ideias econômicas liberais atraem eleitores de direita insatisfeitos com o bolsonarismo.
A reportagem também apontou pontos fracos. Segundo a Economist, o candidato tem dificuldade de conquistar o eleitorado feminino, e a revista criticou sua aproximação com discursos associados à chamada “machoesfera”. O texto lembrou ainda a suspensão de atos de campanha determinada posteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O primeiro turno da eleição presidencial será no dia 4 de outubro, e os candidatos entram na reta final da campanha. Outro presidenciável que visitou São Carlos foi Flávio Bolsonaro (PL), em companhia do candidato ao governo do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos).







