Home / Região / Campanha publicitária humilha cidadãos periféricos de São Carlos

Campanha publicitária humilha cidadãos periféricos de São Carlos

Uma campanha publicitária do empreendimento Mirante 7, lançada pela imobiliária Iplano, provocou forte repercussão em São Carlos após a divulgação de um outdoor com a frase: “Não more na periferia. More bem, escolha o Mirante 7.”

A mensagem, instalada em uma das vias de grande circulação da cidade, rapidamente passou a ser alvo de críticas por moradores e observadores da área de comunicação. O motivo é a interpretação de que a peça utiliza a periferia como um elemento negativo para promover o empreendimento, estabelecendo uma comparação que sugere que viver em bairros periféricos seria sinônimo de uma condição inferior de moradia.

Embora campanhas imobiliárias tenham como objetivo destacar diferenciais competitivos de novos empreendimentos, especialistas em comunicação costumam defender que a valorização de um produto ou serviço não deve ocorrer por meio da desvalorização de pessoas, comunidades ou territórios.

Mais do que uma questão de marketing

A polêmica vai além da estratégia comercial. Para muitos moradores, o uso da expressão “não more na periferia” reforça um estigma histórico enfrentado por bairros populares. Essas regiões abrigam milhares de famílias, trabalhadores, estudantes, empreendedores e cidadãos que contribuem diariamente para o desenvolvimento econômico e social de São Carlos.

O ex-vereador Leandro Guerreiro se posicionou em suas redes sociais criticando o conteúdo dessa campanha. O político salientou o seu orgulho de morar na periferia e solicitou educadamente, para que a Iplano e sua agência retirassem todos os outdoors.

Ao associar a periferia a algo que deve ser evitado, a campanha acaba despertando um debate importante sobre preconceito territorial e inclusão urbana. Afinal, a qualidade de vida de uma cidade não pode ser medida apenas pelo valor imobiliário de determinadas regiões, mas também pelas oportunidades, serviços públicos e pela dignidade oferecida a todos os seus moradores.

O papel social da publicidade

A publicidade possui enorme capacidade de influenciar percepções e comportamentos. Por isso, além de cumprir objetivos comerciais, também carrega responsabilidade sobre as mensagens que transmite à sociedade.

No mercado imobiliário, é comum que campanhas destaquem atributos como localização estratégica, infraestrutura, segurança, mobilidade urbana, áreas de lazer e qualidade construtiva. O questionamento levantado neste caso não está na divulgação do empreendimento em si, mas na escolha de uma abordagem que cria uma oposição entre diferentes partes da cidade.

Para críticos da campanha, seria plenamente possível promover as qualidades do Mirante 7 sem recorrer a uma mensagem que pode ser interpretada como depreciativa em relação a bairros onde vivem milhares de cidadãos.

Debate necessário para uma cidade mais integrada

O episódio reacende uma discussão importante sobre desenvolvimento urbano, inclusão social e respeito às diferentes realidades que compõem São Carlos. Em uma cidade marcada por contrastes econômicos e territoriais, a forma como empresas e instituições se comunicam com a população pode contribuir para aproximar ou aprofundar divisões já existentes.

Valorizar novos empreendimentos é legítimo e faz parte da dinâmica do mercado imobiliário. Entretanto, quando uma campanha sugere que determinadas regiões são menos dignas ou desejáveis apenas por sua localização, abre-se espaço para reflexões sobre os limites éticos da comunicação comercial.

A controvérsia em torno do outdoor do Mirante 7 mostra que, cada vez mais, a sociedade espera que empresas alinhem suas estratégias de marketing não apenas aos objetivos de venda, mas também aos valores de respeito, inclusão e responsabilidade social que ajudam a construir cidades mais justas e integradas.

Segundo fontes do Ibaté Agora, essa campanha foi projetada por uma tradicional Agência de Publicidade da cidade, que já trabalhou para expressivos clientes, entre estes: a Prefeitura e a Câmara. “Sem querer, querendo, esta mensagem expôs todo o preconceito estrutural, que os mais abastados possuem com as pessoas mais humildes”, esclareceu um sociólogo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Recentemente, muitos moradores da região do Santa Felícia se posicionaram contra um empreendimento imobiliário Minha Casa, Minha Vida, que está sendo construído em frente à empresa Opto. A desculpa residia que o local não aguentaria tanta gente para se deslocar até as unidades de Saúde e Educação. Porém, a verdade dos fatos expôs que esse projeto aglutina moradores de baixo rendimento salarial associando com o CDHU situado na Vila Isabel, proximidade do Sesi.

Marcado:

Publicidade

Mais Lidas