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Cúpula do PT move peças para eleger Newton Lima a deputado

Foi uma jogada de mestre digna de um campeão de xadrez. Em uma reviravolta histórica, o vereador Djalma Nery (PSOL) retirou a sua candidatura a deputado estadual para ocupar a primeira suplência do Senado, caso a candidata Marina Silva (Rede) for eleita senadora no dia 4 de outubro (domingo). “São Carlos poderá sair do ostracismo de representação parlamentar zero, para registrar em sua história, o primeiro senador comunista da região Central”, comemorou uma universitária militante e feminista da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Durante as eleições municipais de 2024, o candidato perdedor Newton Lima Neto (PT) chegou a fechar um acordo com o inocente Djalma. Caso o petista vencesse, ele iria dispor de toda a máquina da Prefeitura para apoiar a candidatura do psolista rumo a uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). “O duro que todo mundo já sabia, que o Newton nem pode apoiar outro candidato que não seja de sua sigla”, gargalhou uma alta fonte do PT. “O pessoal tirava muito sarro do Djalma pelos bastidores da época”, revelou.

Com o fracasso total de Newton no pleito de 2024, ele decidiu lançar sua candidatura à Alesp gerando uma revolta incontrolável em Djalma. Essa treta foi exposta em toda mídia são-carlense, onde o filiado do PSOL não poupou críticas ácidas ao ex-prefeito e ex-deputado federal. “Fizemos uma reunião na casa dele, e ele me ofereceu apoio para deputado estadual se eu o apoiasse na eleição municipal, não detalhando que só me apoiaria se ganhasse a eleição”, relembrou Djalma. “Ele fez molecagem, não tem palavra e inventou essa desculpa por causa da candidatura”, esbravejou.

Movimentando Peças

Inicialmente, na convenção de sábado (25), Marina havia escolhido o sindicalista Antônio Neto (PDT) e o vereador de São Paulo Roberto Tripoli (PV) como suplentes, mas na convenção de domingo (26), o jogo virou completamente inserindo Djalma como o primeiro suplente. “O responsável por toda mudança foi o Edinho Silva”, confessou o informante petista. “O Newton está desesperado para se eleger, pois já é um político bastante idoso e pretende fechar a sua carreira com chave de ouro devido ao seu ego infinito”, revelou.

Fora de sintonia

Mesmo com a saída de Djalma da ala esquerdista, na Capital da Tecnologia, seus votos (12.100 em 2022) não migrarão tão facilmente para o petista. “Imagina aquela estudante de cabelo azul e sovaco cabeludo votando em um velho branco de 73 anos, rico e obeso, mesmo sendo de uma esquerda fracassada e de quinta categoria”, avaliou um professor doutor do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar. “O eleitor do PSOL vai votar em outros candidatos da sigla, sendo que o Djalma era o principal arquétipo desta classe de jovens iludidos, revoltados e frustrados”, concluiu.

 

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