A região Central paulista pode viver um momento histórico nas eleições gerais de 2026. O vereador de São Carlos Djalma Nery (PSOL) e o ex-prefeito de Araraquara Marcelo Barbieri (PDT) estão cotados para assumir as suplências das candidaturas ao Senado Federal por São Paulo de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), respectivamente.
Caso qualquer uma das duas seja eleita e, posteriormente, convidada a ocupar um ministério em um eventual novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seus suplentes assumiriam a cadeira no Senado — o que tornaria a Capital da Tecnologia e a Morada do Sol, pela primeira vez, cidades de origem de senadores da República.
Nery já foi oficializado como primeiro suplente de Marina Silva na chapa da Rede. A definição foi anunciada neste domingo (26) e consolida o nome do vereador dentro da coligação que também reúne PT, PSB, PDT, PV e PCdoB, entre outros partidos, em apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo do Estado. Até então, o vereador do PSOL era cotado para concorrer a uma vaga de deputado estadual, mas passou a integrar a chapa majoritária na disputa pelo Senado.
Já a suplência de Simone Tebet foi indicada pelo PDT em convenção estadual realizada na última sexta-feira (24), quando a legenda oficializou o apoio a Haddad. Na ocasião, o partido também indicou Antônio Neto para a suplência de Marina Silva — nome que acabou substituído pela indicação do PSOL a Djalma Nery. Segundo a coordenação da campanha de Haddad, a definição oficial de todas as composições de suplência deve ocorrer até o dia 5 de agosto (quarta).
As eleições de 2026 terão duas vagas em disputa para o Senado por São Paulo. Marina e Simone, ambas ex-ministras de Lula, formam a dobradinha feminina da aliança majoritária no estado, que também apoia a reeleição do petista à Presidência da República.
Quem é Djalma Nery
Nascido em São Paulo em 1987, Djalma Nery Ferreira Neto é cientista social, formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestre em Ecologia Aplicada pelo Cena/USP-Esalq. Filiado ao PSOL desde 2012 e integrante do setorial estadual ecossocialista da legenda, ele concorreu a vereador em 2016 e a deputado estadual em 2018, quando recebeu mais de 13 mil votos. Em 2020 foi eleito vereador de São Carlos com a maior votação da cidade, feito que repetiu em 2024, sempre sob a proposta do Mandato Popular Coletivo, modelo de gestão coletiva do mandato construído junto a um conselho deliberativo.
Na Câmara Municipal, Nery preside a Comissão de Meio Ambiente e também comanda o parlamento regional da UVESP (União dos Vereadores do Estado de São Paulo), que reúne 26 municípios da região Central.
Professor da rede pública estadual, é fundador da Associação Veracidade, entidade ambientalista de São Carlos voltada à permacultura e à agroecologia, e autor de um livro sobre alternativas para a permacultura no Brasil. Sua atuação de destaque na pauta ambiental é apontada como o principal fator que viabilizou sua indicação à chapa de Marina, historicamente associada à agenda socioambiental.
Quem é Marcelo Barbieri
Marcelo Fortes Barbieri nasceu em Araraquara em 1956 e construiu uma trajetória política de quase cinco décadas. Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas, iniciou a militância ainda no movimento estudantil, tendo sido vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1979, período em que chegou a ser preso pelo DOPS durante a ditadura militar.
Filiado ao MDB (então PMDB) desde 1976, foi eleito deputado federal por três mandatos consecutivos, entre 1991 e 2003, e ocupou a presidência nacional do partido em 1998. Depois de quatro tentativas frustradas, foi eleito prefeito de Araraquara em 2008 e reeleito em 2012, governando a cidade até 2016.
Em abril de 2026, após mais de 50 anos de filiação, Barbieri deixou o MDB — movimento que associou ao realinhamento do partido paulista em torno do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) — e se filiou ao PDT, passando a atuar como coordenador estadual da legenda em São Paulo.
Ao anunciar a mudança, o ex-prefeito afirmou publicamente que pretendia apoiar pré-candidaturas ao Senado com as quais se identifica politicamente, citando nominalmente Simone, a quem já havia apoiador na disputa presidencial de 2022.
A indicação de seu nome como suplente da senadora consolida essa aproximação e projeta Araraquara para o cenário nacional, ao lado de São Carlos, na disputa pelo Senado paulista.







